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"A encruzilhada" de Robert Johnson: A lenda diz que Johnson vendeu sua alma ao diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississipi, em troca de uma formidável habilidade para tocar guitarra. Mitos a parte, dedicamos nossos esforços àqueles que apreciam o melhor do Rock, Soul, Blues, funk, hard, heavy metal e todas as vertentes que o estilo Rock n Roll nos direciona. SEJAM BEM VINDOS.

Saudações velhos companheiros,

omo diz o ditado, o bom filho a casa torna!

Foram vários anos desde minha ultima postagem, neste longo período conheci e redescobri varias bandas. Bom, o retorna deste velho marujo mundo dos blogueiros tem um único objetivo, propagar e divulgar o bom e velho rock! Então meus caros, divirtam-se como eu vou me divertir e apreciem como eu aprecio essa boa música! E nunca, nunca mesmo deixem que a chama do rock se apague!

Lembrando que críticas e sugestões são sempre bem vindas!

Um grande abraço desse velho lobo do rock!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Frank Zappa - Joe's Garage (1979) Act ll


Dando continuação agora ao ato II, temos uma reviravolta na vida do nosso protagonista. Como disse no final do Ato I, Joe procura o senhor L. Ron Hoover… na Primeira Igreja de Aparelhologia e pede-lhe conselhos. E Hoover entendendo a situação na qual Joe se encontra, diz a ele:
“Bom, você não tem nada a temer, meu filho
Você é um latente fetichista de aparelhos, pelo que me parece!”
[...]
“Um latente fetichista de aparelhos
É uma pessoa que se recusa a admitir a ele ou ela
Que a gratificação sexual
Pode apenas ser alcançada pelo uso de MÁQUINAS
Deu pra ter uma idéia?”
Ron então explica a Joe como obter uma dessas máquinas, mas que para isso ele deve aprender outra língua para facilitar sua utilização.
“E um vibrante grupo de aparelhologistas dança no salão usando um avental de laboratório feito de lâmina de alumínio, fecham os braços em um círculo em volta de JOE, certificando-se que ele pague o valor integral, e durante todo o momento cantando com L. RON enquanto ele passa as instruções finais...”
Assim termina a faixa 1, do Ato II, enquanto Joe fica admirado com as potencialidades da sua nova máquina de prazer.

A segunda canção, Joe resolve botar o caro conselho de L. RON em prática, e segue para um local chamado “O Armário” (The Closet). Onde outras pessoas também possuem estes aparelhos por lá.
Central Scrutinizer
“Então Joe aprendeu a falar alemão, ele vai para esse lugar e ele vê todas essas pequenas máquinas de cozinha dançando entre si, e ele vê esta máquina... que parece, ahn, é um cruzamento entre um limpador a vácuo industrial e um cofre de porquinho cromado com consolos grudados por todo seu corpo... é realmente excitante... e quando ele a vê, ele EXPLODE COM MÚSICA...”
..... Stick it out....
Importante ressaltar, que no início da canção, o protagonista canta em alemão para a máquina Sy Borg, na voz deWarren Cuccurullo & Ed Mann, (previamente considerado o filho da senhora que chamou a Polícia na faixa dois do Ato I), e observe também uma voz eletrônica pertencente ao aparelho comprado por Joe.

A faixa 3, o protagonista exalta Sy Borg e suas potencialidades, colocando-as em prática até chegar a um ponto extremo e acabar por destruí-lo. A partir daí entra na canção a voz da Central Scrutinizer que exige de Joe o pagamento dos estragos. Então, este diz que não pode pagar, devido ter dado todo seu dinheiro pra um cara religioso, tipo meio descolado.

Joe então foi enviado para a prisão especial, que segundo a Central Scrutinizer, é o local para onde são encaminhados os criminosos da indústria musical. Ela ainda descreve o local como sendo horrível, e que músicos e ex-executivos têm o hábito de cheirar detergente e abusar sexualmente uns dos outros.
“E enquanto a Central Scrutinizer ri sozinha por um momento, o PADRE RILEY, que se transformou em BUDDY JONES, vem à tona sob uma nova identidade: PADRE RILEY B. JONES, Prisão Chaplain, o qual, metido em um figurino, sobretudo forçado, é agora responsável pelo trabalho de cantar essa música...”
Padre Riley B. Jones durante a canção relata o dia-a-dia na prizão e as proezas dos condenados dentro da prisão.

A 5ª canção ainda prevalece os relatos de orgias que ocorrem na prisão. E a Central ri de Joe, pois diz que ele já esta cansado de tanto ter de se submeter a estes abusos que andam ocorrendo.
Percebam também, o ritmo ágil do solo na metade da música que caracteriza a brutalidade e a rapidez dos atos ocorridos sobre Joe.

Outside now, fantástica canção, uma das minhas preferidas. Ela possui um caráter reflexivo, e é nela que Joe vai pensar sobre tudo o que aconteceu, o que realmente queria quando montou sua banda de garagem.
“E tudo o que eu sempre quis foi
Tocar minha guitarra e torcer a corda
Fazendo: rin-tun-tin-tun-tinoninoni...
Eu já sei
Vou me tornar calado e retraído
Eu irei desvanecer ao reino crepuscular de meus próprios pensamentos secretos!
Ali irei me recostar até o amanhecer
Em um estado semi-catatônico
E sonhar com notas de guitarra
Que irritariam um certo executivo...”
Observe a liberdade das notas, os sons e os ritmos que vão se embaralhando harmoniosamente para a formação da canção, isso relembra os velhos tempos de Joe em sua garagem, onde apenas tocavam pelo prazer e a excitação que a música proporcionava.
“E, de fato, JOE imagina algumas daquelas notas de guitarra que todo executivo despreza... aquelas GRAVES... todo executivo sabe que apenas os discos com notas agudas e estridentes é que fazem sucesso”.

Esta aí o Ato II, completando mais uma etapa desse belíssimo trabalho do mestre Zappa. Espero que minhas palavras estejam chegando até vocês de forma clara e objetiva, pois a obra requer uma maior sensibilidade e um pouquinho mais de paciência dos leitores e ouvintes devido à sua complexidade.
Até o Ato III.
by Papola.

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