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"A encruzilhada" de Robert Johnson: A lenda diz que Johnson vendeu sua alma ao diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississipi, em troca de uma formidável habilidade para tocar guitarra. Mitos a parte, dedicamos nossos esforços àqueles que apreciam o melhor do Rock, Soul, Blues, funk, hard, heavy metal e todas as vertentes que o estilo Rock n Roll nos direciona. SEJAM BEM VINDOS.

Saudações velhos companheiros,

omo diz o ditado, o bom filho a casa torna!

Foram vários anos desde minha ultima postagem, neste longo período conheci e redescobri varias bandas. Bom, o retorna deste velho marujo mundo dos blogueiros tem um único objetivo, propagar e divulgar o bom e velho rock! Então meus caros, divirtam-se como eu vou me divertir e apreciem como eu aprecio essa boa música! E nunca, nunca mesmo deixem que a chama do rock se apague!

Lembrando que críticas e sugestões são sempre bem vindas!

Um grande abraço desse velho lobo do rock!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Frank Zappa - Joe's Garage (1979) Act l



Salve zappeiros de plantão!!! É com muita ousadia que hoje estou aqui para comentar sobre esta obra prima do grande mestre Frank Zappa, mentor da ópera rock Joe’s Garage, lançado em 1979.

Para quem não sabe, Zappa foi um dos mais geniais músicos de todos os tempos, influenciado pelas mais diversas vertentes, levando seu experimentalismo a níveis extremos.
Na ópera rock que apresento a vocês, todas as canções foram escritas, arranjadas e conduzidas por Zappa, sendo assim, é comum percebermos os diferentes estilos musicais, a coexistência harmoniosa de sons e ritmos que narram a vida de Joe. As letras evidenciam a rigidez e a acidez de um período marcante na historia.

A obra Joe’s Garage esta dividida em 3 atos (Ato I,II e III), cada uma delas narram fases da vida de Joe. Logo, irei postar os Atos separadamente, para facilitar o entendimento e a análise das canções que narram à obra Entao chega de delongas e vamos lá..... Joe’s Garage tem como temática principal a situação do que poderia acontecer se a música tornasse ilegal. Apresentando Joe e sua banda de garagem em busca de uma carreira musical, num período totalmente conturbado e extremamente conservador, segundo as canções, não posso afirmar, mas pode-se deduzir a partir delas, que a historia se passa na década de 50, onde a doutrina Macartista, anti-comunista ditava as regras, assim comprometia a liberdade individual e desrespeitava os direito civis. Contextualizando o período podemos perceber o valor e o domínio das Instituições sobre a vida das pessoas.

“Às vezes quando você não está olhando ele simplesmente aparece sorrateiramente na sua frente. Ele parece uma espécie tosca de disco voador com um aparato de megafone semelhante a uma tromba na frente com dois grandes olhos montados como duas crateras lunares com sobrancelhas mecânicas cromadas e franzidas sobre eles. Na lateral de seu corpo discóide existem vários conjuntos de capacetes ridículos e mangueiras de escapamento que aparentemente o propulsionam e pontuam seu diálogo com anéis de fumaça de odor pavoroso. No meio de sua cabeça podemos ver uma biruta de aeroporto e um anemômetro constantemente rodopiando. Seu fundo tem uma luz de pouso e três rodas raiadas. Apesar de tudo isso, é óbvio que a maneira pela qual ele se vira é ser transportado de um lugar par ao outro por um agente federal com uma camisa verde escura no telhado que está comendo um sanduíche (pedaços do qual caem regularmente e se alojam próximo ao buraco onde eles põem o óleo que faz a fumacinha tosca).
Ele flutua para junto de nossa vista e fala a nós assim:”
.... mediante a Central Scrutinizer, ela nos acompanhará no decorrer da história, e tem a principal função de narrar, estando sempre onisciente e onipresente sobre os acontecimentos, além de perturbar a consciência de Joe. Na faixa 1, ela dirá a você que é de total responsabilidade dela o cumprimento das leis, assim durante toda a primeira faixa ela tentará te alertar para algumas ações que você eventualmente possa praticar, como a música por exemplo, e que isso poderá ter conseqüências terríveis. Ela também diz que suas Instituições penais estão cheias de pessoas assim, e que estudos estão sendo feitos para puní-las com castigos cruéis para evitar a disseminação dessa “força terrível”, ou seja a música. Assim a história de Joe, segundo ela, é uma apresentação especial para mostrar o que pode acontecer com você, se escolher uma carreira na música ... Esta é a Central Scrutinizer na voz de Frank Zappa.

Na faixa 2, a voz da Central Scrutinizer te leva agora a uma garagem em Canoga Park,em uma área residencial, onde uma banda de adolescentes ensaiam. Joe , na voz de Ike Willis, canta para nós sobre as mazelas e atribulações da vida conjugal de uma banda de garagem, descreve-a como não sendo muito grande, mas havia espaço suficiente para uma bateria abarrotada na quina em cima do Dodge, um amplificador mequetrefe e uma guitarra de segunda mão. A partir daí entra na canção Larry, na voz de Frank Zappa, um cara que irá eventualmente desistir da banda e levar uma vida respeitável como o roadie de um grupo chamado Toad-O. Ele relembra momentos da banda e da velha música que ela sempre tocava, o momento em que passaram a ser notados pelas garotas e a partir daí foram trabalhar em um go-go bar. As pessoas gostaram de sua musica, ate que chegou um cara de uma empresa com promessas falsas e a banda acabou se desfazendo... a conversa de ambos fica no ar até que chega a Sra. Borg, na voz de Warren Cuccurullo & Ed Mann, era uma senhora que morava próxima da casa de Joe, gritava para este abaixar o volume. Como não foi correspondida, ela acaba chamando a Polícia e entra na canção o Oficial Butzis, na voz de Al Malkin, então foi assim o primeiro embate do protagonista com a lei. A Central Scrutinizer entra de novo na canção e diz que; um de seus conselheiros diz pra Joe frequentar mais ações sociais de base eclesiástica.

Já a 3ª canção, anuncia uma festa na ACM, um espaço religioso, e em cima disso ocorre uma crítica a certo atos obcenos que ocorrem frequentemente nessa área envolvendo as garotas e garotos católicos, e também do Padre Riley,na voz também de Zappa. Na canção é apresentada a nós a namorada de Joe, a Mary uma garota católica que sempre freqüentava o clube da Igreja, mas segundo a Central, ela não apareceu na reunião da ala social do clube. Mary estava com Larry, o amigo de Joe, cometendo atos nada cristãos, com o propósito de ser liberada para ver de graça o show de um grande conjunto de rock qualquer.

Na 4ª canção, eles e mais garotas já estão embarcando no ônibus para ir ao show...
“A essa altura, a tripulação da Estrada, como todas elas fazem de tempos em tempos, pegam emprestado parte do equipamento do grupo de rock e fazem uma jam session, indicando às donzelas ajoelhadas que elas são dotadas de uma bela dose de talento bruto, bem como de carne farta. Obviamente impressionada com a habilidade de LARRY em chupar sua gaita tão forte a ponto de tirar ruídos de freio dela, Mary se ajoelha novamente e levanta as mãos em gestos de súplica, ouvindo atentamente enquanto LARRY continua a cantar...”
... CREW SLUT....
Assim Joe perdeu Mary, seduzida por um bárbaro demoníaco com uma chave inglesa no bolso.

A seguir na 5º música, mostra o destino da santa Mary a ser deixada em Miami depois de ser usada pela tripulação de Toad-O. Sem dinheiro para retornar à casa, ela decide entrar no concurso de camiseta molhada (Fembot in a wet t-shirt), em que mulheres semi nuas, depois de molhadas deixam seus seios à mostra. Perceba as vozes e a excitação das pessoas a cada torrente de água que é derramada sobre as garotas. Tambem entra na canção o esquecido Padre Riley, que depois de ter sido expulso por não ter cumprido sua cota, agora se apresenta como Buddy Jones, mestre-de-cerimônias concurso. Então Mary consegue ganhar o prêmio e retorna a casa no ônibus.

On the bus, uma canção que deixa a cargo apenas dos instrumentos de darem prosseguimento à historia, colocando sua guitarra em evidência, alternando os ritmos e estilos. Ao final, a voz da Central Scrutinizer nos interrompe novamente para anunciar:
“… enquanto isso, Joe ouve a respeito das pervertidas proezas de Mary. Ele se mistura a um grupo de baderneiros e é seduzido por uma garota que trabalha no Jack-In-The-Box chamada Lucille, que lhe passa uma doença impronunciável...

Na 7ª faixa, Joe, como mesmo disse a incoveniente voz, descobre que está doente e se pergunta “porque dói quando eu mijo?”. Apesar disso, ele ainda a ama e se pergunta por que ela bagunça tanto com sua mente....
“Lucille hás messed my mind up”. Joe desorientado com a doença, vai ate a outra sala e toca a faixa-título de um velho álbum de Jeff Simmons, e canta junto. Infeliz por ter sido abandonado por Lucille...

"Por um acaso, descobriu-se que Deus não desejava que fôssemos todos iguais. Isso era uma péssima notícia para governos de todo o mundo, já que isso parecia contrário à doutrina de Serviços de Porções Controladas.
A humanidade deve se tornar mais uniforme se quisermos que o futuro funcione. Vários caminhos foram buscados para fortalecer nossos vínculos, mas infelizmente não se podia forçar a homogeneidade.
Foi por volta dessa época que alguém veio com a idéia da Total Criminalização. Baseado nos princípios de que, se fôssemos todos vigaristas, ao menos seríamos uniformes em certo grau aos olhos da lei.
Astutamente, nossos legisladores calcularam que a maior parte das pessoas era preguiçosa demais para cometer um crime de verdade. Portanto, novas leis foram fabricadas, tornando possível a qualquer pessoa violá-las a qualquer hora do dia ou da noite e, uma vez que todos nós tivéssemos infringido alguma lei, nós estaríamos todos junto em algum clube grande e feliz ao lado do Presidente, dos mais respeitáveis industriais e dos clérigos figurões de todas suas religiões favoritas.
A Total Criminalização foi a melhor idéia de seu tempo, e foi gozou de imensa popularidade, exceto junto àqueles que não queriam ser vigaristas ou marginais, portanto, obviamente, essas pessoas teriam que ser ludibriadas para aderir... essa é uma da razões pela qual a música foi eventualmente declarada ilegal."

Na 9ª faixa, a voz Scrutinizer complica a mente do protagonista culpando Lucille e a música pelas desilusões de Joe, mas segundo ela, seus problemas estavam apenas começando.Entao, ela pela primeira vez toma uma decisão inteligente, procura o senhor L. Ron Hoover… na Primeira Igreja de Aparelhologia!

Está ai o Ato I de Joe’s Garage, como disse anteriormente postarei os Atos separadamente. Espero que continuem seguindo a historia, e que apreciem a obra Joe’s Garage do gênio Frank Zappa...
by Papola.

4 comentários:

  1. Aí Papola e Boka,
    tenho este cd, apesar de achá-lo meio confuso musicalmente falando, só que Zappa é Zappa, o cara é bom pra caralho, incrível como ele conseguiu uma produção musical tão extensa e de tão boa qualidade.
    Estou esperando os atos II e III.

    Abraços
    Robson

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  2. Oi Robson,também concordo com você, achei essa obra bastante confusa e muito complexa,mas exige de nós uma grande sensibilidade pra entendê-la e reconhecer a mensagem que Zappa pretende nos passar. Grande abraço e espero que você continue acompanhando os atos restantes.

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  3. Zappa, muito confuso, muito bom, muito loco... Me identifico com o experimentalismo de Zappa.

    E ao pensar que ele morreu, por não deixar "tocarem" sua próstata! heheheh
    Não sei se é realmente verdade, mas dizem que ele não aceitou fazer o "toque". Uma pena, perdemos muito por uma dedada.

    Certeiro Papola! abraços

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  4. ola sombra.. você consegue disponibilizar novamente esses 3 atos? do joe's garage???

    forte abraço

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