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"A encruzilhada" de Robert Johnson: A lenda diz que Johnson vendeu sua alma ao diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississipi, em troca de uma formidável habilidade para tocar guitarra. Mitos a parte, dedicamos nossos esforços àqueles que apreciam o melhor do Rock, Soul, Blues, funk, hard, heavy metal e todas as vertentes que o estilo Rock n Roll nos direciona. SEJAM BEM VINDOS.

Saudações velhos companheiros,

omo diz o ditado, o bom filho a casa torna!

Foram vários anos desde minha ultima postagem, neste longo período conheci e redescobri varias bandas. Bom, o retorna deste velho marujo mundo dos blogueiros tem um único objetivo, propagar e divulgar o bom e velho rock! Então meus caros, divirtam-se como eu vou me divertir e apreciem como eu aprecio essa boa música! E nunca, nunca mesmo deixem que a chama do rock se apague!

Lembrando que críticas e sugestões são sempre bem vindas!

Um grande abraço desse velho lobo do rock!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Frank Zappa - Joe's Garage (1979) Act lll


Retomando então nossa última parte desse trabalho, apresento a vocês o Ato III e o destino que terá nosso protagonista.
Então vamos lá....

Joe finalmente é liberado da prisão em que se encontrava, mas logo percebe que o mundo tornou-se bem diferente de quando a música soava legalmente por aí. Sente vontade de tocar, pois isso era um hábito, mas percebe que não há mais músicos por aí...
“JOE perambula pelo mundo, o qual foi totalmente carbonizado, cuidadosamente organizado, com todo mundo reportando diariamente a seu lugar marcado em uma linha em algum lugar defronte uma janela de algum prédio qualquer com o propósito de recolher seu cheque o qual, quando depositado, possibilita aos jovens continuarem pagando por irreparáveis e obsoletos aparelhos que seus pais compraram há anos atrás na época do leasing, provendo-os como salvaguarda dos salários futuros de seus filhos. O resto dos cheques foi usado pelos jovens beneficiários para comprar coisas divertidas de seu próprio crédito, a maioria delas quebrando ou falhando momentos após de sua aquisição e empilhando-se em todo lugar.”

“Enquanto JOE tropeça em amontoados de bens de consumo moribundos formando estátuas abstratas dedicadas à Qualidade da Habilidade Manual Americana, sonhando com suas estúpidas notinhas de guitarra, ele ouve, de algum lugar da parte de trás de sua cabeça, a voz de SRA. BORG insultando-o.”

Joe relembra a Sra. Borg gritando para que abaixassem o volume, e dizendo que iria chamar a polícia. Ela dizia também que ele era um menino bom e que também costumava cortar o seu gramado. Logo entra em cena a voz da Central Scrutinizer, dizendo:

“Sim, ele era um garoto muito bonzinho… ele costumava aparar o gramado... mas sua mente está completamente destruída pela música. Ele está tão louco que até mesmo acredita que as pessoas estão escrevendo artigos e resenhas sobre seus solos imaginários, e então, continuando a desvanecer ao domínio de seus pensamentos secretos, ele não só sonha com imaginárias notas de guitarra, mas também, para piorar, sonha com linhas vocais para uma música sobre a imaginária profissão jornalística...”

A próxima canção, Packard goose, possui um caráter totalmente onírico e revela a insatisfação de Joe, muitos acreditam que Joe perdeu sua sanidade, mas acredito que depois de tudo ele tornou-se mais atento e mais critico à situação que a sociedade hipócrita e conservadora impôs.

“Todos os críticos de rock’n’roll
São o pior tipo de desperdício
Vendendo o punk como se fosse
Um novo tipo de epidemia inglesa
ESTA é a onda do futuro?
Ah, poupe-me por favor!
Oh não, vocês têm que ir embora
Para quem vocês escrevem? Eu quero saber
Eu acredito que vocês sejam a putinha do governo
E manter as pessoas burras é sua intenção original”

Joe ainda acredita na música apesar de tudo e ainda continua a imaginar...

“Agora que eu me dei por encerrado
Vou tocar de novo minha guitarra imaginária
Hey... soando muito bom!”

Em Watermelon in a easter hay, inicia-se com a incoveniente e sarcástica voz da Central...

“Joe conduziu-se a um frenesi imaginário durante o final de sua canção imaginária... ele começa a se sentir deprimido agora. Ele sabe que o fim está próximo. Ele enfim percebeu que imaginárias notas de gutarra e imaginárias vozes existem apenas na imaginação d’O Imaginador… e… no final das contas… quem é que se importa... então... então... me desculpe... então... quem é que se importa? Então ele volta pra sua salinha patética e silenciosamente sonha com seu último solo imaginário...”

Esta salinha patética na qual a voz faz referência, é sobre o novo local de trabalho de Joe.

Fechando o álbum temos a canção a Little Green Rosetta, cantada pela Central Scrutinizer..

“Aqui é o Central Scrutinizer... como você pode ver, MÚSICA pode te fuder bonito… Pegue um conselho de Joe, faça como ele fez, pendure sua guitarra imaginária e arranje um bom emprego… Joe arranjou, e ele é um cara feliz, no turno diurno da Cozinha Utilitária de Pesquisas em Muffin, torcendo arrogantemente a máscara estéril de lona de um utensílio hipercompleto de cobertura de glacê.”

Durante a canção, a Central Scrutinizer interpretada por Zappa faz diversos comentários como:
“Bom Deus! Você tá realmente improvisando! Agora a versão Reggae, para o povo do terceiro mundo… nós não esquecemos de ninguém nessa música... para todos vocês, franceses... que acham que são incríveis... e para o povo na Espanha... que pensa que os franceses vivem NO lugar... e para o povo da Mongólia... que sempre quis tirar férias na Espanha... e para vocês em Taiwan que foram idiotizados, esse refrão é pra vocês: Rang Tang Ding Dong, eu sou o Sandman japonês...pega em oito...”


“Agora vejam bem, em alguns lugares do Terceiro Mundo deve ser difícil de dançar ao som da música porque o tocador de disco de querosene não é um dispositivo muito eficiente... e em diversas vezes eles morrem, eles morrem no meio do refrão fazendo com que a música soe assim:

A LITTLE GREEN ROSETTAAAAAAA...”



No entanto nós continuamos, apesar do combustível em seu aparelho de som estar acabando. Nós sugerimos que em lugares do Quarto Mundo, onde as coisas realmente ficam complicadas, você use dois gravetos e esfregue-os ao mesmo tempo para manter o disco tocando. E se nada der certo, jogue o disco fora... construa sua própria roseta verde... experimente essa receita: comece com um montinho de grama... a raiz da grama ligado ao osso do tornozelo... o osso do joelho ligado ao ossinho da sorte... e aí todo mundo se muda pra Nova Iorque e vai numa festa com o Warren. Hey!

E nós trouxemos a preço de ouro (escala tripla, não ,menos que isso, senhoras e senhores) o clone de Steve Gad para tocar o último refrão nesta segunda... ele é realmente incrível apesar do fato de que o metrônomo parece ser irrevelante em comparação com o que ele está fazendo agora. Eu estou ouvindo o clique, sim, eu estou sofrendo com o metrônomo neste exato momento... esse cara está completamente dessincronizado com ele, mas enfim, bela merda. Ed Mann, vamos chamá-lo depois, mostre a ele a placa. OK Vinnie, cadê o cinco?

Terminamos então essa belíssima e difícil obra. Espero que possam tem apreciado, pois ela exige de nós uma maior sensibilidade para entender os fatos e também compreender as mensagens de Zappa, que nem sempre ficam muito claras no decorrer da história.

Está aí, uma opera rock completíssima de Frank Zappa pra vocês...
by Papola.

3 comentários:

  1. Frank zappa foi um filosofo moderno do tipo que so sera entendido por alguns daqui a muitos anos e sera motivo de pesquisas como se pesquisa hoje shopenhauer,Nietszche,freud entre outras mentes tao originaise intrigantes. blenitz aquino

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  2. Com certeza, um filósofo e um sociólogo, pois Zappa analisa a sociedade em sua obra, de uma maneira tao minunciosa... ouso até dizer que a ópera possui um pouco do pensamento Durkheiminiano, ao colocar o peso das Instituições sobre as atitudes das pessoas. Frank Zappa foi um Nietszche pra música, pois foi realmente um divisor de águas, ao implantar sua própria filosofia musical "à marteladas", preferir o experimentalismo e o instinto de fazer boa música.

    Valeu Blenitz Aquino. Abraços...
    Fica aqui entao um espaço aberto para mais discussões da obra..

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  3. achei interessante os paralelos traçados por vcs dois aqui!!
    confesso que preciso de tempo para ouvir dirieto esse zappa aki!!
    abraço

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